quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

A borboleta

Trazendo uma borboleta,volta Alfredo para casa.
Como é linda! é toda preta,com listas douradas na asa.
Tonta, nas mãos de criança,batendo as asas, num susto,
Quer fugir, porfia, cansa,e treme, e respira a custo.

Contente, o menino grita:“É a primeira que apanho,
Mamãe!vê como é bonita! Que cores e que tamanho!
Como voava no mato!Vou sem demora pregá-la
Por baixo do meu retrato,numa parede da sala.”

Mas a mamãe, com carinho,Lhe diz: “Que mal te fazia,
Meu filho, esse animazinho,que livre e alegre vivia?
Solta essa pobre coitada!larga-lhe as asas, Alfredo!
Vê como treme assustada... Vê como treme de medo...

Para sem pena espetá-la numa parede, menino,
É necessário matá-la: Queres ser um assassino?”
Pensa Alfredo... E, de repente,solta a borboleta... E ela
Abre as asas livremente, e foge pela janela.

“Assim, meu filho! perdeste a borboleta dourada,
Porém na estima crescente de tua mãe adorada...
Que cada um cumpra a sorte das mãos de Deus recebida:
Pois só pode dar a Morte aquele que dá a Vida.”


Olavo Bilac

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